Sempre ávidos
de divertimento, os habitantes da freguesia
de São Salvador de Aramenha nunca deixaram
de festejar os Santos Populares, embora há umas
décadas atrás essas celebrações
tivessem outra grandiosidade. Esse forte envolvimento
da população levou mesmo à criação
de poesia popular sobre essa temática:
Não há mês como o de
Junho
Nem português que o reprove
Dias festejados são estes:
Dia treze, vinte e quatro e vinte e nove.
Santo António é a treze
A vinte e quatro S. João
S. Pedro a vinte e nove
Que fica com a chave na mão.
Santo António de Lisboa
Santo português foi o primeiro
É
um santo milagroso
Também é casamenteiro.
São dias de alegria
Em todos os lugares
Cantam-se lindas cantigas
Aos três santos populares.
S. João é divertido
Gosta de festas e fogueiras
Gosta de ver junto dele
Todas as moças solteiras.
Dos três santos populares
S. Pedro é o mais sisudo
Faz milagres aos milhares
Tem chave para a virtude.
Maria Almeida Camejo
Por todo o lado havia fogueiras e bailes,
nos quais reinava a alegria e a boa disposição.
As pessoas iam à serra buscar rosmaninho,
faziam uma fogueira à porta, que salvavam
em cruz para se purificarem com o cheiro
das ervas. De notar que, no Porto da Espada,
pelo Sto. António as fogueiras eram
feitas com marcela e nos outros santos populares
com rosmaninho e marcela.
Pelo Santo António, o leite das cabras
ou vacas era distribuído como esmola
a toda a gente, para que não faltasse
o leite aos animais. Nesta altura era também
feita uma boneca (geralmente aproveitava-se
a roupa de bebé e enchia-se de palha),
na qual se colocavam bombas, e ostentava-se
num mastro forrado de rosmaninho, só se
queimando na madrugada de S. Pedro. Além
da boneca, também colocavam bombas
nas fogueiras, o que assustava os participantes,
mas também avivava a festa (“inda
banão já estôreva uma
bomba ali detrás d’agente”).
O santo popular mais festejado na freguesia
sempre foi, sem dúvida, o S. João.