4. Tradições
  Matança do Porco
  voltar
Matança do Porco

O dia da matança era e continua a ser para quase todas as pessoas um dia importante e, por vezes, para o almoço desse dia, além de familiares, convidavam-se também outras pessoas consideradas de importância para os donos da casa. Para a matança é sempre necessária ajuda: aos homens cabe ir buscar o porco e segurá-lo para o matar; às mulheres cabe fazer a comida nesses dias, lavar as tripas e fazer todo o trabalho dos enchidos.

Tudo começa logo cedo e com grande azáfama. Logo pela manhã vai-se buscar o animal à pocilga, que nem sempre é junto das casas, principalmente no centro das aldeias. Trazido o porco para junto da casa, é agarrado por alguns homens e posto em cima da banca (mesa de madeira quase sempre feita exclusivamente para este efeito). Depois de bem seguro pelas patas, o “matador” (homem experiente nestas lides que faz este tipo de trabalho para diversas pessoas na terra) mata o animal, espetando a faca de matar (com corte dos dois lados) no sítio certo para que o porco pudesse sangrar bem. Esse sangue é aparado por uma mulher para um alguidar de barro, juntando-se-lhe uma mão cheia de sal e mexendo-se sempre até arrefecer para não coalhar e é o sangue usado para a feitura das morcelas.

De seguida o porco é chamuscado para que fique com a pele limpa, trabalho este que antes era feito com carqueija ou giesta e que, mais recentemente, é realizado com um maçarico a gás, que permite um trabalho mais rápido e eficaz. Depois de bem raspado com as raspadeiras (que antigamente, por vezes, eram também lâminas de gadanhas), é lavado com água abundante e raspado novamente com uma telha, para ficar bem limpo e está pronto a pendurar.

Carregado em mãos ou numa padiola, o porco é transportado para o local da casa onde vai decorrer o trabalho da matança e pendurado no chambaril de madeira ou de ferro, onde se prende o porco pelas patas de trás, de modo a que a cabeça fique para baixo e sem chegar ao chão. É então pesado para ver quantas arrobas tem o animal, contudo, nunca sem antes se ouvirem os diferentes palpites dos participantes.

Posteriormente é aberto de alto a baixo para se retirarem as tripas, que logo de seguida são separadas pelas mulheres para as irem lavar. Antigamente procurava-se um ribeiro para fazer este serviço, pois é necessária água abundante; actualmente recorre-se à bica de um tanque ou a uma torneira de boca larga. No Porto da Espada, a Fonte do Álamo ainda continua a ser um dos locais escolhidos para o efeito.

 
Fonte do Álamo

Da ementa do almoço da matança constam as sopas de cachola ou sarrabulho, a canja de galinha, a galinha tostada, as assaduras e o arroz doce. Já o almoço ou o jantar do segundo dia é sempre couves de ossos, paparratos e provam-se as cacholeiras cozidas e as morcelas. Para as “couves de ossos”, salgam-se os ossos da soã, o rabo do porco e toucinho, que se cozem. Depois escoa-se a água e cozem-se as “couves porqueiras” com batatas (que são esmagadas com o garfo).