As Cavalhadas, em Porto da Espada, eram feitas
em honra de S. Tiago, no dia 25 de Julho.
Por volta do ano de 1889, a imagem de S. Tiago,
esteve em Porto da Espada, a quem pertencia,
tendo sido depois levada pelos habitantes de
S. Salvador de Aramenha e ficado apenas a Bandeira
de S. Tiago, mantendo-se ainda hoje a tradição
de sair na procissão de Agosto.
Segundo contam: num ano de Cavalhadas os homens
de Porto da Espada disputavam-nas com os de
S. Salvador, no final, e estando todos bêbados
e no meio de um rixa, deixaram que os de S.
Salvador lhes roubassem a imagem de S. Tiago.
O “Ti Jaquim da Faria, pegou na bandeira
de S. Tiago e, montado no cavalo, fugiu com
ela às costas.
As festas das Cavalhadas eram organizadas por
festeiros, que guardavam a bandeira de um ano
para o outro em suas casas. A entrega da bandeira
ao próximo festeiro era feita pela janela.
Segundo o relato de Maria Tavares Transmontano:
“
Em 1898, os homens deste lugar, para homenagearem
a ausência do santo, foram em cortejo
ao Salvador onde ouviram missa, levando à frente
dos cavalos um homem a tocar tambor. (...)
Em 1904, acabou a festa das cavalhadas, vindo
depois a ser feita de 1923 a 1925, ano em que
terminou definitivamente.”
No entanto, em 1978, por ocasião das
festas em honra de Nossa Senhora das Dores,
foram novamente incluídas no programa
das festas, mas não foram realizadas.
Assim, no dia de S. Tiago havia missa em seu
louvor, estando presente a sua bandeira, havia
almoço-convívio entre os cavaleiros
e, depois do desfile pelas ruas com os
cavalos ornamentados com penachos, de crinas
e rabos entrelaçadas com fitas, dirigiam-se
para o “Tapadão”, lugar
onde decorria o torneio.
As Cavalhadas passaram a ser feitas na segunda-feira
da festa de Agosto e a bandeira de S. Tiago
acompanhava-as.
Um dos grandes vencedores das cavalhadas era
o Sr. Joaquim Picado Lourenço, o “Ti
Jaquim da Faria” ou o “Ti Cadete”,
que levava sempre para casa a fita da vitória
(a única existente data de 2 de Setembro
de 1924 e tem inscrito “Cavalhadas, Of.
a Comissão” numa das pontas e
na outra “Porto da Espada, 2-9-924”).
Eram fixados dois paus a
uma certa altura (altura superior à do cavaleiro montado no cavalo),
tendo de uma ponta à outra uma corda
grossa bem esticada com argolas pendentes.
O torneio iniciava-se a uns cinquenta metros
de distância, os cavaleiros corriam com
uma cana na mão direita com um laço
de fita, simbolizando a espada de S. Tiago,
e tentavam enfiar a cana na argola; se o conseguissem,
ganhavam o prémio, uma galinha, um galo
ou dinheiro.
“
Se o vencedor fosse solteiro, ia como "oferecedor” do
prémio à sua namorada, o companheiro
que, com um lencinho branco na ponta da cana
lhe dizia:
Aqui lhe trago este ramalhete,
Muito bem enramalhetado
Que lhe manda o seu amor,
Que é muito do seu agrado.
Mas além da noiva ou esposa
do vencedor, também às restantes
noivas ou mulheres, eram oferecidos pelos companheiros
dos respectivos noivos ou maridos, lencinhos
de assoar, (...) tendo no momento da entrega
o mimo de um “verso, feito a gosto do
ofertante, e dito pelo “oferecedor”."