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Lenda do "Cabeço da Urra"

Bem ao jeito da literatura popular, ao tentarmos apurar esta lenda, surgiram-nos duas versões:
Segundo a senhora Maria Almeida Camejo, o local onde hoje se encontra esta fonte, outrora, teria sido ponto de encontro entre uma Moura e o seu namorado.
Na versão do senhor Manuel Farias, nesse local aparecia no ar uma mulher às gargalhadas, que tinha por hábito dar orelhadas e que era conhecida por ter as mãos muito frias.
Claro que uma história deste tipo desperta a curiosidade infantil e várias foram as vezes que os miúdos aí se deslocaram, entre as 0.00h e a 1.00h, para tentarem presenciar tal cena. Contudo, nunca puderam saciar a sua curiosidade.

 
Lenda da Silva Negra
 
Conta-se que pelos anos da Peste Negra, em que as muralhas de Marvão já tinham sido restauradas por D. Dinis, houve necessidade de abrir caminhos e veredas para facilitar o acesso ao caminho romano, até ao Vale do Alcaide (Calçada de Marvão – Escusa).
Como Marvão era uma prisão, todos os que para lá iam eram prisioneiros e como Marvão era a primeira linha, por vezes não sustinha convenientemente os ataques castelhanos, o que obrigava o Alcaide de Castelo de Vide a segurar as tropas que ainda passariam. Por tudo isto, houve um acordo entre o Alcaide de Marvão e o Alcaide de Castelo de Vide para que se fizessem os tais caminhos, e assim se transmitissem todas as informações necessárias.
Iniciou então Castelo de Vide o caminho do Prado Inglês até ao “Vale do Monte”, aí cessaram sua obra que foi continuada pelo Alcaide de Marvão. Quando começaram a obra, e passado mais ou menos meia légua, antes de chegar à calçada romana, deparou-se-lhes uma enorme “árvore” em que cada ramo que caía ao chão tinha o tamanho do pulso de um homem. Levaram dias para cortar tal árvore e seus ramos, e porque parecia uma silva, chamaram ao local “Silva Negra”, hoje aldeia da Escusa.
Quando terminaram o corte, viram então a calçada romana que ainda hoje leva ao Vale do Alcaide, e por continuidade às calçadas de Marvão. E de tal maneira se criou a Lenda da Silva Negra, que os viajantes das redondezas ao se cruzarem diziam:
- Para onde vais?
- Vou para Marvão.
- Por onde vais?
- Vou pelo Monte até à calçada.
- Por aí escusas de ir, porque a Silva Negra abarca outra vez todo o caminho.
- Por onde iremos?
- Ide pela vereda do “Castanheiro Novo” (hoje Casa Nova), pois por aí tendes sombras e fontes onde descansar, e andando duas ou três braças, encontrareis uma vereda que vos levará à calçada, passando assim sem tocar nem olhar na “Silva Negra”.
E de tantos caminheiros e viajantes não passarem o monte, ao falarem uns com os outros diziam: “Escusam de lá ir. E Monte da Escusa lhe chamaram.

Assim termina a Lenda da Silva Negra, mas para além desta, outra história se conta também acerca da Escusa, e diz assim:
Há muitos anos atrás era a aldeia da Escusa e arredores um grande souto de castinçais, bravos e mansos, que faziam a delícia de quem passava, pois os seus frutos, a sua sombra e boas águas, obrigavam ao descanso.
Quando na altura dos descobrimentos, D. Henrique, o Navegador, ensaiava as primeiras caravelas, viu que lhe faltava madeira para fazer os seus acabamentos. Foram então consultados os nobres do reino para que informassem se havia tais madeiras nos seus limites. Ao que o nobre de Marvão respondeu que tinha muita vara de castanho, com as quais se podiam fazer boas obras. Mais tarde, vieram para esta região diversos guardiões, artesãos e técnicos da corte para a execução do trabalho.
E porque eram muitos e o trabalho longo, mandou o Rei dizer ao nobre de Marvão que se fizessem casa de pedra, com cobertura de telhas da época. Assim foram feitas as primeiras casas do “Monte da Escusa”.