4. Espaços de Culto
   
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Igreja de Nossa Senhora da Esperança
 

Embora não se saiba ao certo a data concreta da fundação do templo, com base nas “Memórias Paroquiais de 1758” (J.L. Machado e Sérgio Gorjão – Ibn Maruan, nº 3), na descrição que se faz do “Monte da Escuza”, refere-se o seguinte: “… no fundo do monte junto à estrada que vai para a villa de Castelo de Vide huma hermida grande, de que he orago Nossa Senhora da Esperança a qual tem sua capela mayor de aboboda e nella hum altar com seos degraos de cantaria, em o qual está dentro de hum nicho a imagem da Senhora, tem sua sanchristia com porta para a mesma capela, e no arco de alva[r]naria umas grades de pão razas, que fecham a dita capela, há nesta igreja missa todos os dias de preceito, a qual vai celebrar hum capelam a quem pagam os moradores do mesmo monte…”
Ao longo dos tempos a igreja foi alvo de obras de melhoramento, sabendo-se que, em Maio de 1878, foi feita a reedificação da igreja, com a ajuda de esmolas do povo. Assim, em Maio de 1978 assinalou-se o 1º Centenário da Construção da Igreja, com festa religiosa e lanche na Sociedade para todos os presentes.

O templo tem frontaria simples, com ombreiras e verga de granito, encimada por uma janela. A torre, postada à esquerda, quatro fases, apresenta três olhais e está encimada por uma cobertura cónica. Tem uma só nave com vários altares laterais, assinalando-se a valia do altar-mor em talha dourada, policromado no estilo barroco. A imagem da Nossa Senhora é policromada e tem valor artístico, numa das paredes laterais existe também um painel com cinco pinturas (séc. XVI). Numa sala junto à sacristia, está instalado o Museu da Igreja, no qual estão expostos paramentos, santos, missais e demais objectos que já não estão a servir no dia a dia. Também pela sacristia se tem acesso à Casa Mortuária.
Terá sido devido às esmolas dadas pelo povo, aquando da reconstrução da igreja, que as festas se fazem em honra de Santo António, pois conta-se que as mulheres terão feito a sua doação por devoção a Nossa Senhora da Esperança e os homens por devoção ao Santo António. Para além disto e pelo facto de normalmente serem os homens a organizar as festas, teriam a partir de então começado a ser celebradas em honra de Santo António.
Para além das festas de Santo António, outras haveria na aldeia, no principio do século, e das quais não temos testemunhos mais concretos, mas principalmente festas religiosas, devido à grande fé das pessoas da Escusa, terra de muitos sacerdotes e religiosas, que consagraram a sua vida em prol das vocações da igreja católica, não só na Escusa mas noutras terras também. Aqui fica o nome dos sacerdotes naturais da Escusa: Monsenhor Manuel Cebolas Folgado, Manuel Tavares Folgado, Alberto Ramiro Reia, Joaquim Ramiro Picado Reia, Manuel Ramiro Reia, Francisco Ramilo Marques, António Ramiro Salgueiro, Emílio Ramiro Andrade Salgueiro, Manuel Augusto Andrade Santa Cruz, Fortunato da Piedade Andrade Santa Cruz, Manuel Carrilho Bugalho.
Julgamos também que se faziam as comunhões, como testemunha a fotografia que possuímos, sem data, e que seria de uma primeira comunhão, pelo traje da meninas, vestidas de branco, com as grinaldas na cabeça, e os meninos com fato completo e com a fita no braço esquerdo.

 
O Apostolado da Oração
 
 
O Apostolado da Oração é uma organização da Igreja, com associados, que trimestralmente recebem uma folhinha com as intenções do Santo Padre para cada mês do ano, as intenções de cada dia e a intenção missionária dedicada a cada mês.
O Apostolado da Oração tem fortes raízes na Escusa e foi instituído na nossa igreja, possivelmente, há mais de cem anos por pessoas ligadas à religião e muito católicas.
Do Apostolado pode ser sócio quem quiser e a intenção principal é rezar, sozinhos ou em conjunto. Nas folhas do Apostolado vem uma oração que se deve rezar todos os dias, cada um por si.
Os associados não pagam nenhuma quota, mas, no final de cada ano, cada um dá em dinheiro aquilo que quiser e que puder, que é enviado para o secretariado do Apostolado a nível nacional, para ajudar nas despesas com a impressão das orações.
Esta organização católica tem várias zeladoras; são as pessoas que arranjam um grupo de pessoas para sócias e que com elas rezam, sendo as responsáveis pela sua orientação.
Na Escusa, o Apostolado da Oração tem uma bandeira, que, sempre que morre algum dos associados, vai no funeral, à frente do carro funerário e do Senhor Padre e é transportada pela zeladora da pessoa falecida. Outro pormenor na Escusa é que os sócios falecidos do Apostolado têm direito a uma missa celebrada por sua intenção sempre na primeira sexta-feira de cada mês, paga por esta organização.
Mensalmente a Igreja da Escusa recebe o livro: “O Mensageiro”, que pertence ao Apostolado e que os sócios podem levar para casa para ler.