4. Espaços de Culto / Religiosidade Popular
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A Capela
 
Nossa Senhora da Estrela ; Procissão com N.S. da Estrela
 

Até aos anos 50 do século passado, quem queria assistir à missa tinha que se deslocar a outras localidades, sendo as mais próximas São Salvador de Aramenha e Carreiras, pois nos Alvarrões não existia qualquer local de culto. Ainda que haja memória de missas campais para as quais era trazida Nossa Senhora da Estrela, a verdade é que só a partir de 1955 esta aldeia passou a dispor de uma capela, na qual os seus habitantes pudessem orar.

Perante a necessidade que se sentia de existir uma capela na terra, tentou encontrar-se um local onde a construir, que fosse o mais central possível. No entanto, nos sítios que se afiguravam como mais centrais, ninguém se revelou disposto a doar o terreno para a construção. A generosidade de tal dádiva coube ao senhor Severino Gonçalves Travassos, que cedeu uma parcela de terreno na extremidade do seu monte – Monte das Oliveiras – acrescida das pedras arrancadas para a obra e de 10 contos de réis.

Para tornar possível a construção da capela muito contribuiu a família Travassos, bem como a população da terra, quer através de donativos, quer através de mão-de-obra. Quanto ao “projecto arquitectónico”, este jamais conheceu o papel, somente existiu na cabeça do mestre a quem foi incumbida a obra – mestre Tonho Mendes – havendo apenas algumas indicações do Sr. Severino. De notar que este senhor fez questão de acompanhar atentamente o desenrolar da obra e de incentivar sempre aqueles que nela trabalhavam. A este propósito, o mestre Tonho Mendes contou-nos que, no dia em que andava a fazer a abóbada, o Sr. Severino manteve-se o tempo todo a observar o seguimento de tão minucioso trabalho, sempre incentivando-o e dizendo-lhe: “Quando isso estiver pronto, estou aqui para te dar uma braço.” Concluída esta fase da obra, cumpriu o prometido, elogiou-lhe o trabalho (“abençoadas mãos”) e ainda lhe deu uma gorjeta.
Em 1955 surgiu, assim, uma pequena capela, na qual foi possível passar a adorar a santa escolhida para padroeira dos Alvarrões – Nossa Senhora da Conceição. A escolha desta imagem religiosa foi ideia do Sr. Severino Travassos, tendo sido oferecida pelo Sr. Manuel Vivas, na altura presidente da Câmara de Marvão. Quanto aos outros dois santos que também passaram a adornar a capela – o São José e o Santo António – a escolha do Sr. Severino não foi em vão, já que estes têm os nomes dos seus dois netos.

Havendo local de culto, havendo imagens sagradas, faltava o missal para que se pudesse celebrar missa condignamente. Perante isso, movida pelo enorme espírito de iniciativa que sempre a caracterizou, a D. Maria Ana Travassos ousou redigir uma carta a Salazar, pedindo-lhe um missal; pedido esse que foi aceite.
Assim, em 1955, foi inaugurada a capela dos Alvarrões, estando presente nessa inauguração, entre outras figuras ilustres, o Sr. Bispo de Portalegre e Castelo Branco, D. Agostinho de Moura.

 
O cemitério
 
 
A partir da década de 50, a população dos Alvarrões passou a dispor de um local de culto, contudo, só na década de 80 foi construído um cemitério na aldeia. Até então, os defuntos eram sepultados no cemitério de São Salvador de Aramenha, localizado a alguns quilómetros de distância.
Mais uma vez, o terreno para a construção deste local público foi doado pela família Travassos, que cedeu outra parcela de terreno junto à capela, com uma única condição: aí ter reservadas três sepulturas para última morada dos seus entes queridos .
Quanto a verbas para a construção, estas provieram, sobretudo, de receitas que a Comissão de Festas dos Alvarrões foi juntando, do poder local e, claro, dos donativos da população.
 
A casa Mortuária
 
 
Mais tarde, em 1989, contando com as mesmas ajudas, veio a ser construída a casa mortuária, junto do cemitério. Esta passou a constituir um local apropriado para velar os defuntos da terra, pondo-se, assim, cobro à prática de velar os defuntos em casa.
 
A Igreja de Nossa Senhora da Conceição
 
 
Estas construções, que ao longo dos anos foram surgindo, vieram, sem dúvida, ao encontro das necessidades da população dos Alvarrões, contudo, ainda continuava a existir outra aspiração – a construção de uma igreja, na qual pudesse caber a maioria da população, já que na capela existente cabia apenas uma pequeníssima parte.
Ao longo dos anos a Comissão de Festas dos Alvarrões foi juntando dinheiro e, em 1993, essa aspiração concretizou-se; a pequenina capela foi ampliada, dando lugar à actual igreja, da qual toda a população muito se orgulha.
A acrescer às três imagens religiosas já existentes na capela, surgiu a de Nossa Senhora de Fátima, doada por duas senhoras da aldeia: Maria Francisca Antunes Transmontano e “Ti Rosa Patacas” (Rosa da Conceição Raposo). Posteriormente, com o contributo de toda a população, foi adquirido o Sagrado Coração de Jesus.